22 de maio de 2013

Drogas Psicotrópicas: Cacto Peiote




Cacto Peiote

Cerca de 10% das mais de 50 espécies de cacto têm propriedades alucinógenas. A mais conhecida é a Lophophora Williamsi, que brota em desertos no sul dos EUA e norte do México, é um cacto que apresenta pequenas protusões ou “botões”. Este cacto é a planta da qual a mescalina é retirada, sendo o principal ingrediente psicotrópico no peiote. 

 
Lophophora Williamsi (Cacto Peiote)

É usada em rituais há 3 mil anos e cerca de 50 comunidades indígenas a consideram sagrada, acreditam que Peiote é um deus, ou pelo menos um mensageiro dos deuses, enviado à terra para comunicar-se diretamente com o adorador. Diz a lenda que o cacto foi descoberto quando um homem havia se perdido no deserto. Faminto, ele encontrou o cacto e uma voz que emanava da planta lhe disse que deveria comê-lo. O homem recuperou a sua força e retornou à seu vilarejo, levando o presente divino a seu povo. Os huichois, do norte do México, chegam a fazer uma parte uma peregrinação anual de mais de 400Km para colhê-la. Quando a encontram fazem um ritual: em silêncio, agem como se estivassem diante de um cervo, até lançarem uma flecha na planta. Quando voltam com o peiote para a tribo, organizam rituais e celebrações sob o efeito da droga.
A perseguição ao uso do cacto começou com a conquista pelos espanhóis. Para os cristãos, o peiote era associado aos sangrentos rituais astecas e a planta foi condenada como “raiz diabolica”. Em 29 de julho de 1620 o peiote foi finalmente denunciado como ato de supertição.
Algumas tribos da região, no entanto, descobriram os poderes do peiote somente no século XIX. Depois da Guerra Civil Americana, os índios comanches e os navajos viveram uma crise com o extermínio dos seus búfalos e os massacres que sofreram e para amenizar a fase difícil, aderiram ao consumo religioso do peiote. Numa das cerimônias, chamada “dança fantasma”, os índios dançavam alucinados e diziam se comunicar com os mortos.
Nos EUA, o uso de peiote é apenas aceito em cerimônias religiosas da Native American Church (ou peiotismo, uma religião dos índios norte-americanos) sendo considerado legal (Brands, 1998).

Fonte: http://avisospsicodelicos.blogspot.com.br/2009/06/mescalina-molecula-magica-do-peiotismo.html

Efeitos 

A mescalina, princípio ativo do cacto, possui efeitos físicos e psicológicos:

Efeitos físicos: causa aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, dilatação da pupila, aumento da glicemia sanguínea, da temperatura corporal, diaforese e náuseas. Em altas doses, entretanto, a mescalina leva à queda da glicemia e o usuário pode sofrer diarréia hemorrágica e inconsciência. Doses letais causam convulsão, parada respiratória e arritmias cardíacas. 
Efeitos psicológicos: Alucinações visuais mesmo quando de olhos fechados, delírios e alucinações, euforia, “experiências místicas”, ansiedade, medo de morrer, irracionalidade, alteração da percepção temporal, desorganização do pensamento e reações psicóticas. Os efeitos da mescalina podem durar até 12 horas, similar ao que ocorre com o LSD. 
Um dos maiores problemas de se entender e descrever a experiência com a mescalina é a dificuldade de quem usa de comunicar o que se passou, pois a mescalina causa uma desorientação dos sentidos que resulta na perda das referências usuais pelas quais nós nos comunicamos, como as relações de espaço e a percepção de tempo, que são grandemente distorcidas. O sistema nervoso central humano é afetado significativamente pela planta, e o modo como ela altera o processo metabólico do corpo para produzir seus efeitos psíquicos e somáticos é uma das questões que intrigam os pesquisadores há mais de um século. Sabe-se atualmente que as drogas psicodélicas ativam receptores de serotonina no cérebro, acionando um conjunto de processos que levam à alterações do estado de consciência que são particulares para cada indivíduo e cujo mecanismo ainda é desconhecido. No Brasil, tanto o peiote têm o seu uso proibido.

Fontes:
Brands B, Sproule B, Marshman J. 1998. Mescaline. Drugs & Drug Abuse (3rd edition). Pps 351-357. Addiction Research Foundation: Toronto, Ontário: Canadá.
http://www.i-flora.iq.ufrj.br/hist_interessantes/peiote.pdf
Hollis, H. B & Scheinvar, L. El interessante mundo de las cactáceas. Fondo de Cultura Económica. México. 1995.
Jacobs, B. L. How hallucinogenic drugs work. American Scientist 75:386-392, 1987.
 Revista Super Interessante - Fevereiro de 2006


Postagens da série:
3- Drogas Psicotrópicas: Cacto Peiote






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