20 de fevereiro de 2013

Cotas Raciais: Síntese da abolição até os dias atuais

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Esse é um que tema sempre causou polêmica tanto no meio político quanto na sociedade civil, os debates sobre esse tema acontecem desde o início dos aos 2000, devido a controvérsia em torno do tema foi necessário esse tempo todo para que a lei fosse aprovada, e mesmo com todo esse tempo de debate a sociedade brasileira desorganizada (as entidades organizadas já discutiam e acompanhavam o tema a tempos) só se manifestou depois de sua aprovação gerando manifestações pró e contra essa política, então meu intuito é discutir mostrando os argumentos favoráveis e contrários a essa política. Devido a complexidade do tema, vou dividi-lo em dois artigos: Um tratando sobre os fatores históricos de exclusão dos negros e o outro sobre a política de cotas propriamente dita.

Como o título já diz meu posicionamento é favorável, aí alguém diz: “Ele é suspeito, é pardo, a lei o ‘beneficia’. Quem pensar assim está redondamente enganado, nem sempre fui favorável a cotas raciais, na verdade eu defendia apenas as cotas sociais. Considerava que era uma forma de discriminação com os pobres em geral, que deveria existir somente as cotas sociais, que as cotas raciais causavam mais preconceito para com os negros, entre outros argumentos.

Artigo escrito por mim sobre cotas sociais:

Porque ser a favor de cotas sociais?

Comecei a mudar de idéia quando assistindo um debate sobre o assunto ouvi um argumento de que essa marginalização do negro é decorrente tanto do processo de escravatura, como da abolição sem nenhuma ajuda a esse povo que não tinha educação e tinham pouca ou nenhuma qualificação e também das décadas de governos posteriores que pouco ou nada fizeram para reverter esse quadro de exclusão social.

Muito pelo contrário, depois da abolição houve no Brasil uma tentativa de “branqueamento” da sociedade brasileira, na forma de incentivos a imigração de brancos, pois, naquela época a elite branca tinha nojo do povo negro, eram considerados como animais.

Os imigrantes europeus (alemães e italianos principalmente) e japoneses são exemplo desse incentivos a imigração. Essa política de incentivo a imigração segregou e excluiu mais ainda os ex-escravos, sem oportunidade de educação (as escolas públicas da época serviam só as elites) a principal atividade que podia assegurar um emprego era a agricultura, naquela época a principal atividade empregadora do país, sendo que muitos deles já tinham experiência no trabalho, mas, os imigrantes vieram justamente para ocupar esses postos. Quer dizer essa política acaba sendo perversa ao trazer pessoas para ocupar um posto de trabalho, sendo que no país milhares só sabiam fazer isso na vida.

Na 2° metade do século passado, principalmente na ditadura militar, outra política silenciosa destruiu a identidade negra existente no Brasil. As propagandas oficiais do governo evocavam a negação da cultura negra, colocando nomes genéricos como mulatos e negando a existência de racismo. Isso fez com que cada vez menos pessoas se autodeclarassem negras. Claro que diversas entidades se uniram em meio a essas políticas, mas, não cabe aqui uma análise.

Inclusive o que vemos hoje é uma reversão do que acontecia na segunda metade do século XX, onde naquela época nas contagens populacionais cada vez menos pessoas se declaravam pretos/pardos, atualmente a cada censo as pessoas se declaram mais como pretas/pardas. Pode-se creditar isso a políticas públicas implementadas no país como o endurecimento contra atitudes racistas e o Estatuto da Igualdade Racial.

Além do que políticas de cotas implementadas autonomamente por diversas universidades desde a década passada também tem ajudado a combater o problema. Devo destacar também que nosso atual governo se empenha muito no combate a desigualdade racial. Ainda assim, temos muito a avançar.

Então o que temos hoje, é o resultado de mais de cem anos (após a abolição) em que nenhuma política pública foi implementada para quebrar o ciclo de pobreza. Onde a maioria da população negra nascia pobre recebia péssima educação escolar, muitas vezes nem educação escolar recebia, assumiam os postos mais baixos do mercado de trabalho, ganhavam pouco e seus filhos repetiam o mesmo ciclo. Pois qualquer pessoa inteligente sabe que não é fácil quebrar um ciclo de pobreza, além do mais sem ter uma boa escolarização.

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