21 de agosto de 2012

Sêmen estimula a ovulação, aponta estudo com animais

O sêmen do macho tem um componente que ativa a ovulação da fêmea, aponta um novo estudo conduzido pelas universidades Austral do Chile e de Saskatchewan, no Canadá. Os resultados estão publicados na edição desta semana da revista "Proceedings of the National Academy of Sciences" (PNAS).

No caso de lhamas, coelhos e coalas, o ato sexual induz a liberação de óvulos pelo ovário. Já em bovinos e humanos, a ovulação é espontânea e estimulada por hormônios. É por isso que as mulheres, se não estão grávidas, menstruam todo mês, independentemente de terem ou não um parceiro ativo.

O pesquisador Gregg Adams e colegas purificaram, analisaram e testaram um composto do sêmen chamado fator de indução da ovulação (OIF, na sigla em inglês) em lhamas e touros. O objetivo era ver se essa substância foi mantida entre as espécies.

Os estudiosos descobriram que o OIF é também um fator de crescimento de nervos (NGF, em inglês), a mesma proteína que tem papel fundamental no crescimento, na sobrevivência e na manutenção dos neurônios sensoriais. Esse componente regula, ainda, a função dos ovários de forma parecida em vários animais.

De acordo com o trabalho, o sêmen de touros, javalis, cavalos reprodutores e coelhos é capaz de estimular a ovulação em lhamas. Além disso, o fluido seminal de lhamas machos alterou a função ovariana de fêmeas de outras espécies.

Os resultados sugerem que o macho pode induzir diretamente a ação do eixo cérebro-hormônio-sistema reprodutivo na fêmea, trio comandado respectivamente pelo hipotálamo (estrutura na parte central do cérebro que regula processos metabólicos e funções como respiração e circulação), pela glândula hipófise e pelos ovários. A descoberta pode servir para os pesquisadores investigarem o papel do NGF em doenças reprodutivas – como infertilidade – e neurológicas.

Os cientistas concluem que o fluido ejaculado pelo macho e as glândulas responsáveis pela produção do esperma são mais do que um simples vestígio da evolução. Antigamente, achava-se que elas funcionavam apenas como um "tampão copulatório", com um efeito de "castidade" para impedir que outros machos entrassem na fêmea e reduzir a perda de esperma após a inseminação.


Retirado do : G1

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