10 de julho de 2012

Índios potiguaras mantêm há mais de 20 horas reféns em aldeia da Paraíba


Cerca de 200 índios da tribo Potiguara dos municípios de Marcação, Rio Tinto e Baía da Traição, todos no Litoral Norte, estão mantendo desde às 8h da segunda-feira (9), dois funcionários da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) como reféns dentro da aldeia Ibiraquara, em Marcação. Eles reivindicam a saída da chefe do Sesai na Paraíba, Roberta Amaral. De acordo com os índios, a Saúde está prejudicada. “A saúde está acabada. Não temos remédios, não temos transportes, a comida foi cortada”, disse o cacique José Roberto da Silva, que é conhecido como cacique Bel. O cacique disse ainda que o protesto é pacífico.

Por nota, o Ministério da Saúde informou que a Secretaria Especial de Saúde Indígena acionou a Polícia Federal, assim que tomou conhecimento da situação na tarde da segunda-feira (9) justamente para garantir a integridade dos reféns. A secretaria informou ainda que recebeu o pedido de reivindicações e que está disposta a negociar desde que de forma pacífica. Porém, reafirmou que a nomeação ou indicação de pessoas para ocupação de cargos é uma atribuição exclusiva do Governo Federal, prevista em lei.

O cacique Bel disse que até as 6h30 desta terça-feira (10) ainda não havia recebido nenhuma proposta. “Enquanto não vir vir resposta de Brasília, as 32 aldeias vão reivindicar”, disse. Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Paraíba também estiveram no local para negociar com os indígenas.

Na tarde da segunda-feira, Roberta Amaral, que está mantida como refém, ouviu as reivindicações dos indígenas e teve que dançar o toré com eles. "Eles (Ministério da Saúde) alegam que não negociam nessa situação de impasse. A condição é que eles (os índios) liberem os servidores para que depois estabeleça um acordo para negociar a agenda de reivindicação da comunidade. E o outro lado diz que não há acordo, a não ser que atenda de imediato as reivindicações e esse impasse está instalado", disse Roberto Teixeira Lima, companheiro da refém.

Através da assessoria, o Ministério da Saúde informou ainda que uma equipe técnica nas áreas de assistência, gestão e atenção no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Potiguara fez uma inspeção no mês de maio no qual foram detectadas irregularidades e, depois disso, a Sesai realiza um amplo processo de reestruturação das ações de assistência às comunidades indígenas do DSEI Potiguara, responsável pelo atendimento local. Inclusive, a exoneração de Robson Cassiano Soares do cargo de chefe e a nomeação da nova chefe do DSEI, Roberta Amaral, que está refém, foram parte dessas ações.

Fonte: G1 Paraíba

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