31 de maio de 2012

A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Por: Ismael S. Silva

No cotidiano das escolas, percebemos muitas vezes a criação de esteriótipos com relação aos estudantes. É comum perceber uma ou outra pessoa comentando que um determinado aluno não aprende ou mesmo usando o termo "burro". O uso desses termos podem provocar danos irreparáveis na vida daqueles que sofrem com essa discriminação, que as vezes é motivado pelo não aprendizado de uma determinada matéria ou conteúdo.

Para se contrapor a esse tipo de prática: Gardner vem falar para nós em inteligências mútiplas, ou seja, uma pessoa que tem certa dificuldade em um determinado conteúdo pode ter extrema facilidade em outro, dentre outros aspectos. No artigo de hoje, venho trazer um pouco sobre as inteligêcias múltiplas.

O artigo que segue foi escrito por: Uilma Rezende da Silva 


 A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS 


Gardner nos últimos anos  estuda os fatores simbólicos e capacidade cognitiva da criança, através de suas pesquisas considera que o ser humano não pode ser medido apenas pela capacidade e raciocínio rápido, lógico matemático e  linguístico  proposto por Binet, acredita que a mente humana possui diversos fatores a serem considerados, entre eles fatores biológicos e  da criatividade humana, para o  ser humano ser considerado inteligente há um conjunto de ações simbólicas, seus estudos foram realizados nas áreas de psicologia, neuropsicológia e neurociência.

Sua teoria foi construída a partir também de alguns questionamentos. Em relação a inteligência artificial, ao ser humano e seu papel como cidadão feliz adaptando-se a complexidade do ambiente que vive e a estudar sobre o cérebro sendo que para ele ainda tem muito a descobrir.  A partir desses questionamentos e através dos testes de Q.I. Gardner define as inteligências múltiplas.  De acordo com Gardner (apud  ARMSTRONG, 2001):


Inteligências múltiplas é um modelo cognitivo que tenta descrever como os indivíduos usam suas inteligências para resolver problemas e criar produtos, sua teoria quer mostrar como a mente humana opera sobre os conteúdos do mundo. As inteligências encontradas por ele até o momento são: linguística, lógico-matemática, espacial, corporal-inestésica ,musical, naturalista, interpessoal e intrapessoal. 

A partir dessa teoria das inteligências múltiplas podemos refletir sobre maneiras de utilizar esse referencial na sala de aula, pois as crianças necessitam desde cedo um convívio variado com diversas situações que possa proporcionar  aprendizagens significativas.  A aprendizagem da criança ocorre de várias formas, no brincar, falar, ler e em diversas maneiras e o que faz a diferença nesse caso é que seja qual for a aprendizagem deve ter sentido para a criança.       
                                  
Na concepção da teoria das inteligências múltiplas acredita-se que a criança deve ser estimulada o tempo todo em suas ações, a criança aprende a solucionar problemas vivendo nas situações do cotidiano  e novas práticas, para isso a aprendizagem deve ser de forma concreta. 

A teoria das IM tem relevância para a aprendizagem a partir do momento que propõe uma aprendizagem respeitando os limites e valorizando cada criança.  Essa teoria passa a importância de valorizar a criança, mas  infelizmente ainda nos deparamos com escolas que classificam o aluno, dispensando o seu conhecimento, e valorizando somente os aspectos de raciocínio, leitura e escrita.

A sociedade atual julga aqueles que conseguem aprender como inteligentes e aqueles que não conseguem aprender são considerados incapazes. Sendo assim o conceito exclusão/ inclusão move a sociedade hoje.

Muito se fala de inclusão como um fator importante e comparado somente a pessoa com deficiência, o que passa despercebido é que esse tipo de exclusão não é a única forma a ser levado em conta. Devemos incluir todos os alunos sejam os que conseguem aprender ou aqueles que encontram dificuldade. Incluir é valorizar cada um dentro dos seus limites e possibilidades seja deficiente ou não. Devemos deixar de lado esse tipo de conceito é realizar a diferença na prática educativa.

A teoria das inteligências múltiplas nos chama a atenção, pelo fato de   oferecer uma linguagem diversificada sobre os talentos internos das crianças, especialmente daqueles alunos que em suas carreiras escolares vinham acumulando rótulos como incapazes de aprender.   
E segundo Charlot (2000), existem é claro alunos que não conseguem acompanhar o ensino, que não adquirem os saberes que supostamente deveriam adquirir que não constroem certas competências, e não são orientados para a habilitação que  desejariam  alunos que naufragam e reagem com condutas de retratação, desordem e agressão. 

É nesse sentido que o referencial das I.M interage, pois na utilização do referencial as habilidades são valorizadas e cada pessoa é diferente e pode desenvolver suas inteligências, e não ser taxado de aluno fracassado por não ser bom em matemática, mas ser muito bom em português, artes, por exemplo, não existe um conjunto padrão de atributos que precisamos ter para ser considerado inteligente numa área especifica. Para isso a prática do professor deve favorecer a habilidade de cada criança, permitindo que nas dificuldades elas aprendam.

É de máxima importância reconhecer e estimular as várias inteligências humanas e todas as combinações de inteligência. E segundo Gardner (1987, p.87): 


Nós somos todos tão diferentes em grande parte porque possuímos diferentes combinações de inteligência. Se reconhecemos isso, penso que teremos pelo menos uma chance melhor de lidar adequadamente com muitos problemas que enfrentamos nesse mundo.

Essa teoria das I.M na prática estimula a criança a aprender, e se o professor nos recursos disponíveis na sala de aula criar um ambiente mais significativo a novas práticas com certeza os alunos terão menos dificuldade de aprendizagem.   O professor que atua com o referencial teórico das I.M está preocupado com aprendizagem da criança, proporcionando na sala de aula um estudo sobre as inteligências como um todo.  Segundo  Gardner(1987) professores devem utilizar novas técnicas modificar sua prática mudando o seu método de apresentação de maneira crítica.

O melhor dessa teoria é que independente do ambiente pode trabalhar sem deixar de trazer as necessidades da escola o que conta é a criatividade e a praticidade com que a aula é elaborada para estimular as oito inteligências. E para se trabalhar no âmbito interdisciplinar é necessário saber que não há um conjunto de estratégias que funciona melhor com cada criança. O que modifica no  grupo que irá trabalhar é o estimulo de tentar abordar todas elas.
Mas quem vai detectar qual é a melhor estratégia de ensino é o professor, que neste caso deve ser pesquisador, comprometido com a aprendizagem, que busque o conhecimento, seja flexível, e modifique a sua prática e como diz Freire (1996): “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino”(p. 15).

E, ainda, segundo Freire (1996) é necessário uma troca de experiências, ou seja, para o professor dar uma aula que estimule a inteligência linguística, pode realizar ao invés de uma aula formal com giz e lousa e cadeiras enfileiradas, fazer um recital de poesias e em seguida uma roda de conversa. Já na aula de matemática, para estimular essa inteligência pode utilizar um jogo como dama ou xadrez, estimulando assim o raciocínio. 
Para utilizar a inteligência corporal pode fazer uma atividade prática fora da sala como, por exemplo, pular corda entre outras formas.  


REFERÊNCIAS 

ANTUNES,  Celso.  As inteligências Múltiplas e seus estímulos.  Campinas,  SP  Paulo: Papirus,1998.
 ARMSTRONG,  Thomas.  Inteligências Múltiplas na sala  de aula.  2ª ed.  Porto Alegre: Artmed,2001.
CHARLOT, Bernad  Da Relação  Com o Saber : Elementos Para Uma Teoria Porto Alegre: Arte Médicas Sul , 2000.
FREIRE,Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários á Pratica Educativa 2ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1 997.,
FONSECA,Vitor. Introdução as dificuldades de aprendizagem. 2ª ed..Porto Alegre- Artes Médicas,1995.
HOWARD,Gardner. Estruturas da Mente. Porto Alegre:Artmed, 2000.
______ Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995
LEVIN, H. Inteligências Múltiplas a teoria e as práticas cotidianas. In: TCR, v. 95, n.4, p.570-575, 1994
 SMITH,Corine, STRICK,  Lisa:  Dificuldades de aprendizagem de A a Z. [trad. Dayse Batista] Porto Alegre: Artmed, 2001.
SMOLE,  Kátia Stocco.  A Matemática na Educação Infantil: a teoria das  inteligências múltiplas na prática escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
STERNBERG, R.  Reformar a reforma da escola: observações sobre as inteligências múltiplas: a teoria na prática. In:TCR. v.95, n.4, p. 561-569, 1994.

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