30 de março de 2012

Coluna de Economia: Inflação


Inflação é um processo pelo qual ocorre aumento generalizado nos preços dos bens e serviços, provocando perda do poder aquisitivo da moeda. Isso faz com que o dinheiro valha cada vez menos, sendo necessária uma quantidade cada vez maior dele para adquirir os mesmos produtos.

Há vários fatores que podem gerar inflação. O aumento muito grande do preço de um item básico na economia pode contaminar os demais preços provocando uma alta generalizada. É o caso do petróleo e da energia elétrica, por exemplo. O excesso de consumo também provoca inflação, pois os produtos tornam-se escassos ocasionando aumento de seus preços. Em outra hipótese, se o Governo gasta mais do que arrecada, e para pagar suas contas emite papel-moeda, provoca inflação, pois está desvalorizando a moeda, uma vez que criou dinheiro novo sem lastro, sem garantia, sem que tenha havido criação de riqueza, de produção. Assim, os bens e serviços continuam os mesmos, mas o dinheiro em circulação aumenta de volume. Passa-se, então, a exigir maior quantidade de dinheiro pela mesma quantidade de produto, o que alguns economistas chamam de dinheiro fraco, dinheiro podre. 

O processo inflacionário, quando instalado, é de difícil controle. Funciona como um círculo vicioso, obrigando a realização de reajustes periódicos de preços e salários, com o seu conseqüente agravamento. E quem mais sofre com tudo isso é a camada mais pobre da população, que não tem como se proteger. Em épocas de inflação galopante, tivemos no Brasil contas bancárias com reajustes diários como forma de repor o poder de compra que o dinheiro perdia de um dia para o outro. Mas as pessoas mais pobres não tinham (e ainda não têm) acesso a contas bancárias, não podendo se utilizar desse benefício. E assim, seu dinheiro valia menos a cada dia. 

A Correção Monetária tem o objetivo de minimizar (ou até neutralizar) as distorções causadas pela inflação na economia. Com ela, os valores monetários são reajustados com base na inflação ocorrida no período anterior, calculada por índices que procuram medir as mudanças que ocorrem nos níveis de preços de um período para outro. No Brasil, o cálculo destes índices é feito por entidades credenciadas, como o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Outras instituições também têm elaborado estes cálculos, como a FGV - Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro; FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, ambos em São Paulo; o IPEAD - Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis, em Belo Horizonte, dentre outros. 

Os índices de preços, ou de inflação, são, portanto, indicadores que procuram mensurar a evolução do nível de preços. É um número que está associado à média ponderada dos preços de um conjunto de produtos, denominado cesta, em um determinado período. Assim, se de um mês para o outro determinado índice de preços sofre uma elevação de 0,6%, por exemplo, significa que os preços que fazem parte da cesta correspondente a esse índice aumentaram, em média, 0,6%. 

Há diversos índices que são utilizados para medir a inflação, cada um com metodologia de cálculo própria e com utilização específica. Para aferir, por exemplo, a variação dos preços dos produtos finais consumidos pela população, usa-se o índice de custo de vida (ICV) ou o índice de preços ao consumidor (IPC), tomando por base os produtos de consumo de uma família-padrão para toda a sociedade ou certa classe. Para medir a variação nos preços dos insumos e fatores de produção e demais produtos intermediários, usam-se índices de preços ao produtor ou o índice de preços no atacado (IPA). A inflação no Brasil levou à criação de muitos índices diferentes para medir a inflação e corrigir a desvalorização da moeda. Atualmente, os principais são: 

IPC Fipe - Índice de Preços ao Consumidor, calculado pela FIPE/USP (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo), mede a variação dos preços de produtos e serviços, no município de São Paulo, para famílias que ganham entre um e vinte salários mínimos. 

IGP-M - Índice Geral dos Preços do Mercado, calculado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). A coleta de preços é feita entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês corrente, com divulgação no dia 30. É composto por três índices: Índice de Preços no Atacado (IPA), Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), que representam 60%, 30% e 10%, respectivamente, do IGP-M. É um dos índices mais utilizados. 

IPC - Índice de Preços ao Consumidor, calculado pela FGV, mede a inflação para famílias com rendimentos entre um e 33 salários mínimos, em São Paulo e no Rio de Janeiro. O IPC representa 30% do IGP-M. Este índice é calculado para três intervalos diferentes e compõe os demais índices calculados pela FGV (IGP-M, IGP-DI e IGP-10) com um peso de 30%. 

IPA - Índice de Preços no Atacado, calculado pela FGV, com base na variação dos preços no mercado atacadista. Este índice é calculado para três intervalos diferentes e compõe os demais índices calculados pela FGV (IGP-M, IGP-DI e IGP-10) com um peso de 60%. 

INCC - Índice Nacional do Custo da Construção, calculado pela FGV, mede a variação de preços de um conjunto (cesta) de produtos e serviços utilizados pelo setor de construção civil. Este índice é calculado para três intervalos diferentes e compõe os demais índices calculados pela FGV (IGP-M, IGP-DI e IGP-10) com um peso de 10%. 

IGP-DI - Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna. É calculado pela FGV entre o primeiro e o último dia do mês. Sua divulgação ocorre por volta do dia 10 do mês seguinte. Mede os preços que afetam diretamente a atividade econômica do País, excluídas as exportações. A exemplo do IGP-M, também é composto pela média ponderada do IPC, IPA e INCC, calculados para o respectivo período. 

INPC - Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além do Distrito Federal e do município de Goiânia. Mede a variação nos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias com rendas entre um e oito salários mínimos. O período de coleta de preços vai do primeiro ao último dia do mês corrente e é divulgado aproximadamente após o período de oito dias úteis. É o índice mais utilizado. 

IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Ampliado. É calculado pelo IBGE nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além do Distrito Federal e do município de Goiânia. Mede a variação nos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias com rendas entre um e quarenta salários mínimos. O período de coleta de preços vai do primeiro ao último dia do mês corrente e é divulgado aproximadamente após o período de oito dias úteis. 

ICV - Índice do Custo de Vida, calculado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) mede a variação dos preços em quatro grupos: alimentação, transportes, saúde e habitação. A pesquisa é realizada no município de São Paulo, pegando todas as faixas de renda. O período de coleta de preços vai do primeiro ao último dia do mês corrente e o índice é divulgado aproximadamente no início da 2a quinzena do mês seguinte. 

ICVM - Índice do Custo de Vida da Classe Média. Calculado pela Ordem dos Economistas, a pesquisa é realizada no município de São Paulo tomando como base as despesas das famílias que tenham uma renda mensal na faixa entre dez e quarenta salários mínimos. O período de coleta de preços vai do primeiro ao último dia do mês corrente e o índice é divulgado aproximadamente no décimo dia de mês seguinte. 


Outras informações 

- O contrário de inflação, ou seja, a redução do nível de preços, chama-se deflação. 

- Em sua forma extrema, isto é, quando se encontra fora de controle e com aumentos de preços absurdos, a inflação é chamada de hiperinflação. 

- Em períodos de inflação alta, em que os preços chegam a sofrer reajustes diários, a população não retém dinheiro, pois ele se desvaloriza muito rápido. Tão logo recebem o dinheiro as pessoas compram mercadorias, pois se deixarem para o dia seguinte não conseguirão comprar tudo o que conseguem comprar hoje. 

- O caso mais grave de hiperinflação que se tem notícia ocorreu na Alemanha, após a primeira guerra mundial, que chegou a acusar um trilhão por cento entre agosto de 1922 e novembro de 1923. 

Como minimizar os efeitos da alta dos preços no orçamento familiar? 

Para mostrar como reduzir os impactos da inflação sobre o seu bolso, o site de VEJA ouviu os especialistas Ruy Quintans, professor de finanças do Ibmec-Rio, e Ulisses Ruiz de Gamboa, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA) e da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). Os quais mostram a seguir as melhores estratégias para driblar a alta de preços: 



Corrosão da renda dos trabalhadores 
A inflação afeta a todos os brasileiros, no entanto, com intensidades diferentes, de acordo com seu nível de renda familiar. As pessoas mais pobres são as mais prejudicadas, pois utilizam quase que a totalidade dos seus rendimentos para comprar produtos e serviços básicos – em constante aumento de preço -, como alimentos, roupa e educação. Nas famílias com maior poder aquisitivo, este fenômeno tende a trazer menores danos, já que os gastos básicos ocupam, proporcionalmente à renda, menos espaço. 

Como minimizar – Os especialistas recomendam pesquisa de preços – tanto para produtos quanto para serviços. Os valores chegam a variar mais de 100% e a única maneira de economizar, nesse caso, é cotar os valores e fazer a opção mais vantajosa financeiramente. Dispensar itens supérfluos também é uma boa medida de economia. 

Para pessoas com maior poder aquisitivo, a dica se mantém. No entanto, acrescida de um elemento chave: investimento. Os especialistas recomendam às famílias reservar uma parcela de recursos para aplicações financeiras. 

Encarecimento dos produtos nacionais 
O fenômeno da inflação torna cada vez mais cara a produção de produtos e a prestação de serviços. Em decorrência disto, os produtos brasileiros ficam mais caros em comparação com os estrangeiros e o Brasil perde competitividade nos mercados interno e externo. 

Como minimizar – A compra de produtos importados, em um cenário de aumento constante da inflação, pode ser uma boa alternativa, principalmente no cenário atual de desvalorização do dólar. Vale lembrar que a importação é um mecanismo que, naturalmente, ajuda a combater a inflação e restabelecer o equilíbrio dos preços. Ao comprar uma televisão produzida em outro país, por exemplo, o consumidor estimula os fabricantes de televisores nacionais a reduzirem seus preços, para que voltem a atrair a clientela. 

Aumento das incertezas e riscos futuros 
O crescimento contínuo da inflação agrega incerteza aos planejamentos de investimentos dos empresários e das famílias a longo prazo. Sem saberem o quanto os preços dos produtos e serviços aumentarão ao longo dos meses, as pessoas deixam de se comprometer com investimentos duradouros. 

Como minimizar – Em momentos de incerteza, o importante, segundo os especialistas, é não se comprometer com dívidas futuras, principalmente, com aquelas em que os valores são reajustados mensalmente por juros pós-fixadas. As pessoas devem manter o orçamento sob controle e não se comprometer com dívidas de longo prazo, até que o cenário futuro esteja mais previsível. 

Desestímulo à produção 
Em países que convivem com constantes pressões inflacionárias, o retorno dos investimentos em empresas de todos os setores diminui. Isso porque a fabricação de qualquer produto no país se torna mais cara. Como os investidores buscam a melhor remuneração possível, eles muitas vezes optam por colocar dinheiro em títulos da dívida do governo federal, por exemplo, que garantem um rendimento próximo à taxa de básica de juros da economia, a Selic, fixada no Brasil em 11,75% ao ano. 

Expectativas ruins apenas alimentam o crescimento da inflação 
Ao perceberem que o Banco Central está sendo leniente com o aumento constante da inflação, as empresas se antecipam e reajustam o preço de produtos e serviços. Neste caso, a inflação do passado acaba se somando à do presente. 


Referencias 

Revista Veja Online: http://veja.abril.com.br/

Gazeta de Itauna por Elmo Nélio Moreira: economia e finanças. http://www.gazetadeitauna.com.br/



Por: Huston Andrade

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