8 de fevereiro de 2012

O governo de Ricardo Coutinho



Nosso atual governador foi eleito numa campanha eleitoral, onde entrou um pouco desacreditado,mas, com uma ótima oratória, ótimas idéias e um discurso de renovação, deu uma virada que poucos acreditavam. Mas acho que a principal responsável pela vitória dele nas últimas eleições foi o discurso, focado aos mais jovens, de moralidade e meritocracia no serviço público, onde ele dizia que para entrar no serviço público deveria ter méritos e não “padrinhos políticos” e também, se comprometia com os “concurseiros”, que viam o ex-governador José Maranhão como um ditador que não promovia concursos, a fazer concurso para a carreira pública do Estado.

Seu primeiro ano de governo foi muito conturbado, com muitas medidas impopulares, com bons projetos que ainda não deram um grande resultado e, também algumas medidas que, no mínimo, parecem impensadas, medidas que poderiam ser implantadas gradualmente.


Na área econômica, o projeto mais propagado foi o Empreender PB, tratado com muita ênfase na campanha eleitoral, inclusive, dito por Ricardo como um sucesso em João Pessoa, e que pelos dados do governo foi exitoso em 2011. Além disso, teve a contenção de gastos que, pelo que li, tem números muito contraditórios, por isso, fica difícil dizer se foi uma desculpa do governo, ou se realmente foi feito um ajusta para cumprir LRF( Lei de Responsabilidade Fiscal). Saiba mais sobre o Empreender Paraíba:


Na Educação, havia muita expectativa, por causa do discurso eleitoral do governador em contratar profissionais preparados para as funções, porém, o que foi visto foram demissões sem critério, e contratações com um critério muito claro, “critério político”. Inclusive assistimos o pedido de demissão do ex-Secretário da Educação da Paraíba Fernando Abath, alegando motivos de saúde, mas sabe-se que ficou muito chateado com o número de políticos que pediam troca de professores por motivos políticos. E a última polêmica foi com relação ao reordenamento de alunos na rede estadual, que considero que em longo prazo dará certo, mas foi uma atitude muito abrupta, que chega a passar a impressão de ter sido feita em cima da hora e sem qualquer respeito com os pais e os alunos que estavam acostumados com aquelas escolas há anos. Mas o objetivo do governo com a medida é bom, diminuir gastos e no futuro, focar as ações do estado ao ensino médio, deixando com as prefeituras o ensino fundamental.

Na área de Segurança Pública a expectativa era grande, pela indignação do governador, há época candidato, com as explosões e o aumento da criminalidade no estado, suas idéias eram boas, porém não poderiam ser aplicadas no curto prazo. Algumas delas já estão sendo implantadas como as Unidades Polícia Solidária e os Distrito Integrado de Segurança pública, o primeiro visa aproximar o polícia das comunidades e o segundo visa integrar as polícias militar e civil para um melhor trabalho. Mas, a criminalidade no interior aumentou já que esses projetos não chegaram ainda e são de implantação gradual, mas, com o aumento da repressão nas grandes cidades ,a tendência é um aumento da criminalidade no interior. Leia mais:

Na área de saúde foi um governo discreto, aumentaram-se os leitos disponíveis no estado, mas a polêmica foi a concessão da administração do Hospital de Trauma à Cruz Vermelha, fato que não agradou devido a questão de que os profissionais não precisariam fazer concurso público. Mas, inclusive, modelo utilizado em outros estados como São Paulo, por exemplo.

Na área de cultura, desaprovo totalmente, o que foi feito com as chamadas pelo governo como "forró de plástico", até porque, mesmo o governador não gostando pessoalmente desse estilo, boa parte da população gosta e deve ser respeitada. Mas o que acho mais engraçado nesse fato, é que o governo diz que esse estilo não faz parte da cultura, e o verdadeiro forró seria o forró-pé-de-serra, porém nos eventos, tanto da prefeitura de João Pessoa(quando era prefeito) quanto do governo do estado, a prioridade desse governo são bandas do sul do país, como no caso de Rita Lee, entre outros. Porque não dar prioridade ao forró-pé-de-serra? No São João do ano passado o governo disse que não pagaria "forró de plástico", mas, tem que entender que o São João é um evento turístico muito importante para o estado, e assim, prejudicou o estado que tanto defende. Reparem se o governador da Bahia deixa de ajudar o Carnaval por causa da falta de qualidade das músicas tocadas? Mas, uma vez a intransigência de Ricardo Coutinho entra em cena, onde só o que importa é a sua opinião.

Agora com certeza, houve um tratamento quase “desumano” com os servidores públicos, o que pode ter abafado algumas realizações governo, greves em várias categorias como: policiais, anestesistas, médicos, auditores fiscais, etc. Os professores, classe que tenho muito apreço por ser estudante de licenciatura, estão sem estabilidade nenhuma de emprego, vivendo uma onda de indicações políticas nunca vista e com um salário irrisório, segundo um amigo professor nunca foram tão mal tratados como nesse início de governo.

O governador mostra uma face de que muito se ouvia falar, uma “face ditatorial”, onde sempre prevalece sua visão sobre o mundo e o diálogo quase inexiste.

Torcia muito para que esse governador diminuísse as indicações políticas no estado, mas percebi que o único jeito disso acontecer é com uma política de Concursos Públicos até que os cargos contratados sejam mínimos, pois, enquanto houver esse número de contratados no estado a “pressão política” será muito grande.

Avalio esse início de governo como ruim, porém, com perspectivas de melhora quanto aos programas implantados, e uns citados no texto, em algumas áreas. O governador vai melhorar suas realizações e fazer um bom governo, mas, vai ficar longe da “Paraíba perfeita” que se propagou na campanha eleitoral, caso ele vencesse as eleições.

Rondynelle Silva

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